Miriam Leitão fala sobre o perigo de construir sobre lixões

Esses lixões matam. Não são apenas uma preocupação de ambientalistas, de quem quer fazer separação de lixo. É algo concreto.

 

Drama em Niterói prova de que lixo mata

sex, 09/04/10 por Miriam Leitão 

 

 

Essa semana, mostramos uma série de reportagem sobre o lixo. Em uma reportagem muito emocionante, a repórter Beatriz Thielmann sobrevoou o Rio de Janeiro, mostrando que havia 40 lixões irregulares e uma grande quantidade de lixões clandestinos.

Esses lixões matam. Não são apenas uma preocupação de ambientalistas, de quem quer fazer separação de lixo. É algo concreto.

Se a região do Morro do Bumba não fosse um lixão fosse um aterro sanitário, explicou um engenheiro ambiental, teria uma manta protetora no solo, uma manta em cima (para proteger de contaminação), ainda assim jamais poderia ter uma construção sobre o local, porque o terreno cede com a decomposição da matéria. Ali está tudo errado.

Especialistas têm me dito que, em eventos como esse, em que desce muita água das encostas e encontra maré alta, vão acontecer com mais frequência. Sabemos que há 44 anos houve uma tragédia assim. Mas as mudanças climáticas vão fazer eventos como esse mais frequentes.

O Brasil é tão imprevidente. Há uma lei de resíduos sólidos no Congresso há 19 anos. Essa lei estabelece formas de tratar o lixo. Não era para tudo isso ter acontecido.

O bairro de Tóquio que recicla quase 100% do lixo é algo meio futurista. O que está dentro das nossas possibilidades é tratar melhor o lixo. O lixo não tratado mata. Lixo separado, bem tratado, vira energia e matéria-prima. Isso o Brasil pode fazer.

O Brasil não precisa de um Morro do Bumba, não está no nosso nível de desenvolvimento. Isso é inaceitável. O Brasil pode tratar melhor o lixo, transformando em insumo.

 

Bom Dia Brasil



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