Brasil recicla apenas 13% do que é jogado fora

Dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), organização que representa 29 grandes empresas, indicam que o volume de lixo urbano reciclado passou de 5 milhões de toneladas em 2003 para 7,1 milhões de toneladas em 2008, o que corresponde a 13% dos resíduos gerados nas cidades.

 

 

23/04/2010 - 18h54

Brasil recicla apenas 13% do que é jogado fora

 

Agência Senado - 23/04/2010 - Brasil recicla apenas 13% do que é jogado fora

 

Mesmo sem um marco regulatório, a reciclagem é uma atividade em expansão no Brasil. Dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), organização que representa 29 grandes empresas, indicam que o volume de lixo urbano reciclado passou de 5 milhões de toneladas em 2003 para 7,1 milhões de toneladas em 2008, o que corresponde a 13% dos resíduos gerados nas cidades. Se considerada apenas a fração seca do lixo (plástico, vidro, metais, papel e borracha), o índice de reciclagem subiu de 17% em 2004 para 25% em 2008. O setor já movimenta R$ 12 bilhões por ano.

Elemento fundamental para recuperar essa riqueza que seria desperdiçada é o catador de materiais. Há, de acordo com o Cempre, um milhão de catadores no país. O ganho médio proporcionado pela atividade é de 1,5 salário mínimo nas regiões Sudeste e Sul e de um salário mínimo no restante do país.

O presidente do Cempre, Victor Bicca, destaca que a organização dos catadores em cooperativas tem sido um fator importante para a “inclusão social e a geração de renda de uma parte da sociedade que não tinha qualquer perspectiva”.

Com relação à reciclagem de alguns materiais, o Brasil já conquistou destaque internacional, observa Bicca. É o caso das latas de alumínio, em que o país tem a liderança mundial, e das garrafas PET, em que está em segundo lugar, atrás do Japão. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, na avaliação do especialista, que também é executivo da Coca-Cola, deve incentivar os convênios entre prefeituras e cooperativas de catadores e formalizar os modelos de reciclagem que já se revelaram bem-sucedidos, impulsionando o setor.

- O Brasil precisa dessa legislação o quanto antes. Todos nós estamos ávidos pela aprovação desse texto que está no Senado - afirma.

Rafael Faria / Jornal do Senado

Info | Reciclagem

Agência Senado

 

 

23/04/2010 - 18h49

Projeto estabelece responsabilidade compartilhada

- A política define a destinação final ambientalmente adequada como aquela em que há reutilização, reciclagem, compostagem, recuperação e aproveitamento energético do lixo.

- Os rejeitos, parcela que não puder ser reaproveitada, deverão ser dispostos em aterros que evitem danos à saúde e reduzam os danos ao ambiental.

- A responsabilidade pela disposição final dos produtos após seu ciclo de vida passará a ser compartilhada entre o poder público, a indústria, o comércio e o consumidor.

- Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de agrotóxicos, pilhas, baterias, pneus, óleos lubrificantes, produtos eletrônicos e lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista terão de estruturar sistema de logística reversa, para recuperar seus produtos e dar a eles destinação ambientalmente correta quando forem descartados pelo consumidor. No caso dos agrotóxicos, a regra inclui as embalagens.

- Serão elaborados planos nacional, regionais, estaduais e municipais de gestão de resíduos.

- Geradores de resíduos de instalação de indústrias, de saneamento básico, de serviços de saúde, de mineração, de construção civil, de serviços de transporte e de outros que sejam perigosos terão de elaborar plano de gerenciamento, em sintonia com o plano municipal.

- Produtos reciclados e recicláveis terão prioridade nas compras do governo.

- As embalagens deverão ser fabricadas com materiais que propiciem a reutilização ou a reciclagem.

- As cooperativas de catadores e a indústria de reciclagem receberão incentivos fiscais.

- Será criado o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão de Resíduos Sólidos (Sinir), que reunirá dados sobre o manejo do lixo que obrigatoriamente deverão ser fornecidos pelos municípios e pelo Distrito Federal.

- Ficará proibido o lançamento de resíduos sólidos ou rejeitos in natura a céu aberto (exceto resíduos de mineração). Com isso se pretende eliminar todos os lixões do país.

- Também é proibida a catação, a moradia e a criação de animais domésticos nos aterros.

- Importar lixo de outros países também passa a ser expressamente proibido pela lei.

Rafael Faria / Jornal do Senado

Agência Senado



One Response to “ Brasil recicla apenas 13% do que é jogado fora ”

  1. Cristiano Requião disse:

    O CEMPRE, por conta das “29 grandes empresas que representa”, não é um órgão confiável. Tudo aquilo que é produzido, elaborado, pesquisado e divulgado estará cempre, digo, sempre de acordo com os interesses econômicos das “29 grandes empresas”.

    O fato do Brasil ser recordista mundial em reciclagem de latas de alumínio não é um mérito, mas justamente o oposto. No entanto, imaginem se estas empresas das quais fazem parte a coca-cola, pepsi, ambev etc. farão uma campanha para que se consuma menos alumínio? Jamais.

    Esta reciclagem é boa para elas, não para o meio ambiente.

    A reciclagem de PET é um engodo. A embalagem PET pode virar qualquer coisa, como roupa, bolsas, vasssouras etc., mas nunca será reciclável. Jamais voltará a ser uma garrafa de refrigerante, por exemplo.

    É preciso tomar muito cuidado, porque estas associações são criadas especialmente para defender os interesses dos seus associados. Isso é pragmático. É o capitalismo. De defesa do meio ambiente eles só tem a fachada.

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