O lanche está melhor protegido em um saco de papel

Pode ser que você lembre desse filme e hesite antes de tomar um gole da sua garrafa d’àgua plástica. Ou, quem sabe, você embale seu lanche em um saco de papel ao invés de colocá-lo em um pote plástico.

 

 

25 de fevereiro de 2010  

O lanche está melhor protegido em um saco de papel 

O documentário “Plastic Planet” lida com a questão do lixo plástico, que vem se acumulando em escala cada vez maior na nossa sociedade. 

 

O documentário “Plastic Planet” mostra muito claramente como o mundo e nossas vidas são moldadas pelo plástico, até mesmo as menores partes. © Thomas Kirschner www.thomaskirschner.com

O documentário “Plastic Planet” mostra muito claramente como o mundo e nossas vidas são moldadas pelo plástico, até mesmo as menores partes. © Thomas Kirschner www.thomaskirschner.com

 

Por Sabine Danek

Pode ser que você lembre desse filme e hesite antes de tomar um gole da sua garrafa d’àgua plástica. Ou, quem sabe, você embale seu lanche em um saco de papel ao invés de colocá-lo em um pote plástico. 

Mas mesmo que isso às vezes soe um pouco ingênuo,  o diretor de cinema vienense Werner Boote seguiu a rota do plástico e sua viagem ao redor do mundo, “a lá” Michael Moore, assustando com os dados que ele traz à tona. 

É claro que já é sabido que o material dura tanto quanto traz danos: já houveram escândalos quando à mamadeiras e brinquedos de criança e as fotos dos catadores de plástico em Calcutá estão sendo divulgadas com frequência ainda maior. Boote também junta muitas peças, mostrando que a sua composição é mantida em segredo e apresenta a idéia de que a sociedade come, bebe e respira plástico, para ser mais exato, através de Bisphenol A (BPA), um componente orgânico de alta toxicidade, deixando claro que o plástico está em todos os lugares. 

 

O documentário “Plastic Planet” mostra muito claramente como o mundo e nossas vidas são moldadas pelo plástico, até mesmo as menores partes. © Thomas Kirschner www.thomaskirschner.com

O documentário “Plastic Planet” mostra muito claramente como o mundo e nossas vidas são moldadas pelo plástico, até mesmo as menores partes. © Thomas Kirschner www.thomaskirschner.com

 

Poderíamos envolver a Terra seis vezes com o plástico que utilizamos - e esse mundo também aparece na praia: se tirarmos uma radiografia da areia veremos milhares de  pequenas peças de plástico colorido. As aves marinhas, por sua vez, as confundem com plâncton e as usam para alimentar os filhotes, que morrem de fome e são capturados por peixes. Ao final do ciclo, nós os comemos, ingerindo, portanto, lixo. 

Os mares do mundo todos estão sendo transformados em lixões: existem áreas onde pode-se encontrar 60 vezes mais plástico do que plâncton, enquanto perto do Havaí foi formado um imenso redemoinho em que 3 milhões de toneladas de plástico rodam noite e dia, até que, daqui a mais de um século, se decomponham da mesma maneira que as sacolas plásticas encontradas no Saara. 

Boote encontra médicos, biólogos, diversos porta-vozes da indústria plástica e visionários por um mundo sem plástico. Ao final do filme, o diretor deixa flores no túmulo de seu avô, que, como chefe de negócios da Interplastik, ajudou a construir o mundo “plastificado”em que vivemos. O toque pessoal parece exagerado, já o científico, inegável. 

Plastic Planet, Áustria/Alemanha 2009, 99 minutos, o.A., Diretor: Werner Boote. Mais informações no site www.plastic-planet.de

 

Matéria publicada no jornal alemão Hamburger Abendblatt no dia 25 de fevereiro de 2010.
Tradução: Marina Harkot 

 



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