Mais Surf para um mundo melhor

Sempre achei que o surf é uma atividade que agrega muitos valores legais às pessoas que tem o privilégio de praticá-lo. Mas houve um período difícil até que o surf virasse este verdadeiro “acontecimento” para o mundo.

 

 

Salvador, 7 de agosto de 2010

Mais Surf para um mundo melhor

 

O surf é apaixonante. © Bernardo Mussi

O surf é apaixonante. © Bernardo Mussi

 

Bernardo Mussi

Sempre achei que o surf é uma atividade que agrega muitos valores legais às pessoas que tem o privilégio de praticá-lo. Mas houve um período difícil até que o surf virasse este verdadeiro “acontecimento” para o mundo.

Quando comecei a dar minhas primeiras remadas sobre uma prancha lá pelo final da década de 70, o surf era uma prática muito questionada pela sociedade em razão do seu envolvimento natural com tudo aquilo que era um pouco diferente, digamos assim, naquele momento político. Estávamos saindo de um regime militar no Brasil onde as liberdades eram aprisionadas e a censura imperava na música, na arte, na literatura, na imprensa, no comportamento e no pensamento das pessoas.

O surf, que havia começado no Brasil efetivamente na década de 60 em meio a um turbilhão de acontecimentos políticos e sociais, logo se ligou aos movimentos tidos como contestadores a exemplo do movimento Hippie, do Rock in Roll, do Tropicalismo, de seguimentos da literatura, da poesia, do cinema e tudo o mais que fosse de encontro ao “sistema” daquela época. Por conta desta relação instintiva com tais movimentos o surf também foi rotulado por muitos como atividade marginal, de perigo eminente à formação de jovens sadios, atrelado ao consumo de drogas e a um estilo peculiar de comportamento.

 

Surf, saúde, emoção... © Bernardo Mussi

Surf, saúde, emoção... © Bernardo Mussi

 

Na escola, em 1977, aos 11 anos de idade quando iniciei minha vida no surf, eu começava a me sentir um pouco diferente dos meus colegas. Eu começava a me integrar totalmente e de maneira muito passional a uma atividade física intensa que me colocava espiritualmente ligado a natureza e ainda por cima me deixava eufórico pelo mais puro sentimento de liberdade.

Eu era um pré adolesceste que experimentava algo quase que proibido com a natural preocupação dos meus pais que viam aquilo como uma novidade ainda cercada de muitas interrogações. Mas tive a sorte de contar com o incentivo deles ao perceberem que a cada dia eu me tornava mais saudável, mais amável e consciente de coisas super importantes na vida.  Mesmo aturando aqueles comentários perniciosos de que surfista era vagabundo e maconheiro…

 

Darius também iniciou nos anos 70. © Bernardo Mussi

Darius também iniciou nos anos 70. © Bernardo Mussi

 

Os anos foram se passando e aquela turma bronzeada de costumes diferenciados acompanhava em meio às ondas as transformações que o país experimentava após a queda da censura e do regime militar. Muitas coisas que eram tratadas como subversivas e contrárias ao interesse nacional passaram a ser valorizadas e incluídas com admiração na cultura do país.

O movimento Hippie foi reconhecido como uma ação legítima de protesto pacífico, o Rock in Roll se tornou eterno, o Tropicalismo produziu uma das mais interessantes e valiosas contribuições para nossa música popular, o cinema vingou e escritores e poetas que tiveram suas obras caçadas se tornaram referências literárias.  Neste mesmo embalo o surf virou um esporte mundialmente reconhecido por sua beleza, profissionalismo e valores agregados. Aliás, mais que um esporte, um estilo de vida apaixonante!

 

Envolvimento total com a natureza. O autor... © Alex Luddi

Envolvimento total com a natureza. O autor... © Alex Luddi

 

A lição dessa reviravolta social, política e cultural demonstra a dinâmica da evolução das pessoas aqui na terra e a obrigação que temos de estarmos antenados às necessárias tendências que vão se desenhando em nossas vidas com foco no bem estar global. Aquelas pessoas que perseguiram seus sonhos e lutaram por suas convicções batendo de frente com os conceitos socialmente corretos daquele tempo tiveram participação importante na conquista das liberdades que experimentamos hoje.

Temos agora que manter esta conquista e lutar por questões emergenciais em nossos dias, como por exemplo, a conservação do meio ambiente. Acho que temos uma visão de vanguarda sobre este assunto.  Por isso estou certo do nosso poder de contribuir com as grandes transformações positivas na direção do bem estar global por termos na essência das nossas almas uma inquietação muito grande em desfavor das coisas que possam agredir a saúde das pessoas, a liberdade e a natureza neste planeta.

 

Zé Augusto acumula mais de 30 anos de surf. © Bernardo Mussi

Zé Augusto acumula mais de 30 anos de surf. © Bernardo Mussi

 

Assim, aos mais novos aconselho não deixarem que o surf se torne uma obsessão em suas rotinas, pois, aí, fatalmente, vocês já não estarão sendo multiplicadores das coisas boas que o esporte proporciona. O surf também exige disciplina.

Aos da minha geração, que bom que estamos vivos e ainda surfando com muita paixão. Creio que ainda há muito por fazer para continuarmos “contaminando” as pessoas ao nosso redor com a alegria e a jovialidade que enche nossas almas após cada sessão de boas ondas.

Aos mais velhos, minhas deferências! Vocês são e sempre serão meus ídolos por terem tido a oportunidade de, ingenuamente, viver dias mais românticos no surf quando tudo ainda era pura descoberta. Vocês abriram as portas do paraíso para todos nós e por isso merecem nossa eterna gratidão. Elejam o meio ambiente como prioridade, em nome dos seus filhos e seus netos.

A todos, mais surf por um mundo melhor…



One Response to “ Mais Surf para um mundo melhor ”

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