Light-stick, problema de poluição marinha e saúde pública na Costa dos Coqueiros, Bahia

Meu projeto vem sendo desenvolvido desde 2007 e teve como objetivo avaliar os efeitos que o líquido contido no Light-stick, sinalizador utilizado em pesca de espinhel, causa à fauna marinha após exposição aguda e crônica a diferentes espécies, em diferentes fases de vida.

 

 

Ubatuba, 20 de outubro de 2010 

Light-stick, problema de poluição marinha e saúde pública na Costa dos Coqueiros, Bahia 

 

Lightsticks coletados no litoral norte (Costa dos Coqueiros) da Bahia. © Fabiano Prado Barretto/Global Garbage

Lightsticks coletados no litoral norte (Costa dos Coqueiros) da Bahia. © Fabiano Prado Barretto/Global Garbage

 

Caio Cesar Ribeiro 

Dentre os Trabalhos de Conclusão de Curso da Graduação de Oceanografia da Unimonte em Santos (SP), alguns tiveram como tema o lixo marinho. Meu projeto vem sendo desenvolvido desde 2007 e teve como objetivo avaliar os efeitos que o líquido contido no Light-stick, sinalizador utilizado em pesca de espinhel, causa à fauna marinha após exposição aguda e crônica a diferentes espécies, em diferentes fases de vida. O trabalho teve início com uma coleta dos exemplares na Costa dos Coqueiros (BA), contando com o apoio da Global Garbage e da Associação dos Capitães de Areia.

Os tubos coletados foram quantificados por duas características: a coloração do líquido predominante e se os tubos abrem em mares ou praias, podendo afetar a biota. Desenvolvemos metodologias de extração do líquido (óleo) para a coluna d’água, a fim de se estimar os efeitos provocados pelo despejo desses atratores nos mares. Nos ensaios foram utilizados microcrustáceos, gametas e embriões de ouriços-do-mar, podendo ser verificado alto efeito tóxico.

Por meio de algumas manipulações físicas e químicas foi possível determinar os grupos de compostos que causam os efeitos adversos. São eles: compostos oxidáveis como o peróxido de hidrogênio, e voláteis como alguns hidrocarbonetos policíclicos aromáticos.

Assim, é recomendado o recolhimento destes tubos antes de serem despejados nos oceanos, pois podem causar efeitos deletérios à biota. É também necessário o estudo de uma nova constituição para o Light-stick que tenha o mesmo princípio ativo, mas que seja menos degradante para o ambiente, e até mesmo para a população, que pode encontrar os tubos nas praias e se contaminar.

Tive a orientação da professora Maria Fernanda Palanch-Hans e nosso trabalho está recebendo boa aceitação, visto que já foram apresentados diversos trabalhos em congressos relacionados a esse projeto e fomos homenageados algumas vezes com menções honrosas e prêmios por qualidade do trabalho e da apresentação, além da suma importância ambiental.  

Caio Cesar Ribeiro é oceanógrafo (Unimonte) e estudante de Biologia Marinha (UNESP). Trabalha como técnico de Aquicultura Marinha no Instituto Oceanográfico da USP em Ubatuba. Tem experiência na área de Ecotoxicologia Aquática, Poluição e Lixo Marinho, em especial Light-sticks.

 

pdficon_small Avaliação e Identificação da toxicidade aguda e crônica do Light-stick, sinalizador utilizado em pesca de espinhel, através de ensaios com diferentes organismos marinhos

 

Lightstick sendo utilizado como chaveiro por morador do litoral norte (Costa dos Coqueiros), Bahia. © Fabiano Prado Barretto/Global Garbage

Lightstick sendo utilizado como chaveiro por morador do litoral norte (Costa dos Coqueiros) da Bahia. © Fabiano Prado Barretto/Global Garbage

 

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