Sacolas Plásticas não são vilãs

As sacolas plásticas são econômicas, duráveis, resistentes, práticas, higiênicas e inertes, são reutilizáveis e 100% recicláveis. Segundo uma pesquisa do Ibope, elas constituem as embalagens preferidas dos consumidores para transportar suas compras.

 

 

09/08/2010

Sacolas Plásticas não são vilãs

Quando a questão é reduzir impacto ambiental, imediatamente é questionado o banimento de qualquer produto para encontrar a solução.

As sacolas plásticas são econômicas, duráveis, resistentes, práticas, higiênicas e inertes, são reutilizáveis e 100% recicláveis. Segundo uma pesquisa do Ibope, elas constituem as embalagens preferidas dos consumidores para transportar suas compras.

Reduzir, reutilizar e reciclar as sacolas é possível quando elas são feitas com qualidade exigida pela norma ABNT NBR 14.937 - Sacolas plásticas tipo camiseta - Requisitos e métodos de ensaio. Isso acaba com as práticas de colocar uma sacola dentro da outra para transportar produtos mais pesados ou utilizar somente a metade da sua capacidade eliminando o consumo excessivo e o desperdício.

Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

 

Fundada em 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)  é o órgão responsável pela normalização técnica no país, fornecendo a base necessária ao desenvolvimento tecnológico brasileiro.

É uma entidade privada, sem fins lucrativos, reconhecida como único Foro Nacional de Normalização através da Resolução n.º 07 do CONMETRO, de 24.08.1992.
É membro fundador da ISO (International Organization for Standardization), da COPANT (Comissão Panamericana de Normas Técnicas) e da AMN (Associação Mercosul de Normalização).

A ABNT é a única e exclusiva representante no Brasil das seguintes entidades internacionais: ISO (International Organization for Standardization), IEC (International Electrotechnical Comission); e das entidades de normalização regional COPANT (Comissão Panamericana de
Normas Técnicas) e a AMN (Associação Mercosul de Normalização).

 

 

17 de agosto de 2010 

Comentário via lista de discussão do site lixo.com.br 

 

Ilha de Boipeba, Costa do Dendê, Bahia. © Fabiano Prado Barretto/Global Garbage

Ilha de Boipeba, Costa do Dendê, Bahia. © Fabiano Prado Barretto/Global Garbage

 

http://br.groups.yahoo.com/group/lixocombr/message/14481

—– Original Message —–
From: Cristiano Requião
To: lixocombr@yahoogrupos.com.br ; atendimento.rj@abnt.org.br ; ecodicas - dicas ecológicas para o cotidiano
Sent: Tuesday, August 17, 2010 1:22 PM
Subject: Re: [lixocombr] Sacolas Plásticas não são vilãs
Senhores,

É realmente impressionante como o lobie da indústria plástica é capaz de
interferir numa associação que deveria, ao menos por desígnio, lidar com a
realidade nos próprios termos.

É a tal história: “uma mão lava a outra”, ou o ciclo perverso do favoritismo
e da corrupção.

Este texto sobre sacolas plásticas é tendencioso e sofista. Sua construção
induz o leitor a crer em falsas inferências com o intuito de convencê-lo
mais adiante de que seguindo as normas desta associação elas estariam
isentas dos danos ambientais que causam. Na contramão de uma tendência
internacional.

“Sacolas Plásticas não são vilãs”

Quem vilaniza as sacolas? Por que esta terminologia? Pretende-se dizer que
as sacolas são, portanto, o oposto?

“Quando a questão é reduzir impacto ambiental, imediatamente é questionado o
banimento de qualquer produto para encontrar a solução.”

Quem propôs o banimento? Por que isto não é acrescentado ao texto?
Simplesmente porque a banalização do contraditório visa infundir uma verdade
hipotética às falsas premissas.

“As sacolas plásticas são econômicas, duráveis, resistentes, práticas,
higiênicas e inertes, são reutilizáveis e 100% recicláveis.”

Econômicas para quem? Duráveis e resistentes? Reutilizáveis com qual
finalidade? 100% recicláveis? Como assim? O plástico quando “reciclado”
mantém suas características originais? Isso é mentira e vocês sabem disso -
ou deveriam saber. Qualquer material plástico tem um determinado número de
vezes em que pode ser fundido e se transformar em outro produto de qualidade
inferior. Que a indústria plástica repita sistematicamente este equívoco é
compreensível - ainda que cretino. Mas um órgão que deveria, - desculpem,
poderia primar pela informação científica e técnica corretas é uma vergonha.

“Segundo uma pesquisa do Ibope, elas constituem as embalagens preferidas dos
consumidores para transportar suas compras.”

Esta informação acrescenta o quê? A opinião pública torna as sacolas menos
prejudiciais?

“Reduzir, reutilizar e reciclar as sacolas é possível quando elas são feitas
com qualidade exigida pela norma ABNT NBR 14.937 - Sacolas plásticas tipo
camiseta - Requisitos e métodos de ensaio. Isso acaba com as práticas de
colocar uma sacola dentro da outra para transportar produtos mais pesados ou
utilizar somente a metade da sua capacidade eliminando o consumo excessivo e
o desperdício.”

Concluem com esta bobagem tentando encher a bola de si mesmos. Não é só o
consumo excessivo e sim o consumo. Esquece o articulista que o saco plástico
não causa apenas problemas depois que é fabricado. Seu ciclo danoso começa
na extração e processamento industrial.

Gostaria de saber qual foi a troca de favores ou o quanto rolou por baixo do
pano para que a ABNT produzisse um texto mal construído, enganoso e
proselitista em favor da indústria plástica. Justamente um órgão que poderia
primar pela ética. Ou não, não é mesmo?

Cristiano Requião



2 Responses to “ Sacolas Plásticas não são vilãs ”

  1. Fernando disse:

    Cristiano Requião… o senhor da razão.

    Fico um tanto atônito quando ouço ecologistas alarmistas e cientistas discorrendo sobre a ação daninha do homem contra a natureza. Quanta empáfia!

    Sacolinhas plásticas acabarão com nosso planeta!!! Pronto, acharam a grande vilã!

    Sacolas plásticas entopem bueiros? SIM!
    Sacolas plásticas causam mortes em animais? SIM!
    Sacolas plásticas contribuem para a poluição dos oceanos? SIM!

    Lógico que tudo isso é verdade e é um crime, mas saibam que as tais sacolinhas só vão para a natureza descartados inadequadamente pelo homem, portanto quem polui é o homem que descarta estes produtos em locais e de forma inadequados, por simples falta de EDUCAÇÃO!

    O senhor Cristiano Requião tem que ler um pouco mais a respeito, explico:

    • Econômicas SIM! – façamos uma comparação com as sacolas de papel… para produzir uma sacola de papel, é necessário aproximadamente três vezes mais matéria-prima que para produzir uma equivalente de plástico. O mesmo vale para o uso da água. Durante o processo de fabricação de um saco plástico, o gasto de água é três vezes menor que o exigido para produzir uma sacola de papel com a mesma capacidade. Se a intenção é economizar recursos naturais, renováveis ou não, teoricamente preferir sacolas de plástico seria mais sensato que utilizar sacolas de papel, certo? Econômicas também para a dona de casa, que utiliza as sacolas plásticas para diversas finalidades de armazenamento em casa e principalmente para armazenar o lixo (evitando assim mais gastos com a compra de sacos para lixo, que também são de plástico, que coincidência não? Você gasta com a compra de mais plástico para lixo se já tem um semelhante que pode ter a mesma finalidade em casa?) e tem mais…

    Economia de energia elétrica: O plástico gasta 32 % a menos de energia e água para ser produzido em relação ao papel; reciclar 1 tonelada de plástico significa economizar 130 kg de petróleo.

    Redução da Exploração Florestal: ao substituir o papel, o papelão e a madeira na fabricação de embalagens;

    Diminuição de Rejeitos Sólidos: as embalagens plásticas são responsáveis por apenas 5% a 7% do peso dos lixos domésticos. Caso as embalagens plásticas fossem totalmente substituídas por papel, madeira, vidro ou metal, acarretaria nas seguintes conseqüências:

    • Quadruplicação do peso dos rejeitos.
    • Duplicação do volume dos rejeitos.
    • Duplicação do consumo de energia.
    • Duplicação dos custos.

    No transporte de mercadorias: Devido a sua maior leveza a utilização do plástico resulta em menor consumo de combustível.
    Exemplo: Um caminhão que carrega água mineral em garrafas de vidro está na verdade transportando 57% de água e 43% de vidro, em seu peso total. Porem se forem utilizadas garrafas plásticas, passará a transportar 93% de água a apenas 7% do peso em embalagem.
    Isso apresenta uma economia de 39% de combustível, sendo que a emissão de poluentes dos escapamentos destes veículos também diminui na mesma proporção.

    Redução de espaço de armazenamento: As embalagens plásticas são leves e compactas, por isso, em alguns casos chegam a reduzir em até 92% a utilização de espaços para estocagem.

    Redução da poluição: A produção de objetos feitos em plástico causa menos poluição que a fabricação de produtos similares fabricados em outros materiais.

    • Duráveis e resistentes SIM! – basta o comerciante que faz a compra das sacolas solicitar um material com espessura maior – leia-se mais grosso - e não querer tirar vantagem com sacolinhas mais finas para ganhar na quantidade, com isso podemos usar muitas vezes a mesma sacola.

    • Reutilizáveis SIM! – Como disse acima, basta virar lei a obrigatoriedade de sacolas mais grossas, assim reutilizaremos mais e mais vezes em nossas compras até não poder mais e virarem o saco ideal para armazenar o lixo caseiro.

    • 100% recicláveis SIM! – inacreditável que você não saiba isso. Sacolas plásticas são 100% recicláveis, senhor beócio, sendo suas aparas (restos) concorridas “a tapas” por fábricas recicladoras e podem se transformar em novas sacolas – as chamadas recuperadas - em bancos e cercas para jardins, tapumes para obras evitando assim a madeira, flores artificiais, píer para marinas novamente evitando a madeira, e mais uma infinidade de produtos. Estude um pouco mais a respeito, a internet está aí para isso. Ligue em alguma fábrica de reciclagem e pergunte se estão precisando desse material.

    E chega de tanta hipocrisia pousando de corretamente ecológico, seja o senhor, seja quem pensa como o senhor. Não percebem que estão sendo usados pelos grandes supermercados desse país, ou de outro qualquer ponto do planeta. Não conseguem imaginar o quanto eles economizariam com a abolição da sacolinha plástica e o quanto mais lucrariam com a venda de sacos para lixo que também é feito de plástico e que também poderá tornar-se no futuro o novo vilão!?

    E como disse lá no começo, o que falta é EDUCAÇÃO!!! Só resolveremos este assunto com educação e não com atitudes hipócritas.

    Quando o governo obrigar todos os supermercados a terem postos de coleta seletiva e fazerem uma enorme campanha educando o povo a terem bons hábitos como o de separar lixo orgânico de lixo reciclável tudo isso muda e a “vilã” sacolinha passará a ser vista com outros olhos, pois será devidamente reutilizada, trasformando-se em novos produtos.

    É como se diz: A atualidade sem preocupações em ser “politicamente correto”, esta prática que transforma a verdade em um teatro ensaiado ao gosto vigente.

    Para terminar procure na internet e leia: “sacos plásticos causam menos danos que ecobags, diz relatório da Agência do Meio Ambiente britânico” divulgado em fevereiro de 2.011

    Saudações

    Fernando

    • Cristiano Requião disse:

      Fernando,

      Não entendi a ironia “senhor da razão”.

      O que me espanta é como pessoas como você tem a capacidade de fazer espuma em cima de textos alheios partindo das premissas que desejam e não do conteúdo. Em momento algum, por exemplo, conferi vilania às sacolas plásticas.

      Quando você atribui a solução ao descarte inadequado, se esquece de que as sacolas plásticas não poluem a partir do momento em que são adquiridas, e sim, desde sua extração e fabricação. Ali começa o processo danoso, não somente do supermercado em diante.

      Eu nunca sugeri sacolas de papel como alternativa para as sacolas plásticas. Fosse o caso, sugeriria as de tecido de algodão ou lonitas que são reutilizáveis centenas ou até milhares de vezes. Todo este seu discurso sobre as vantagens das sacolas plásticas sobre as de papel, se foi baseado no meu texto, falece por incompetência. É tão necessário ler mais a respeito como aprender a ler.

      Quando sugere que as donas de casa usem as sacolas para outras finalidades nos seus termos, comete outra gafe cruel. As sacolas são frágeis e inadequadas para armazenamento ou descarte de lixo, principalmente o orgânico. Incluindo os sacos plásticos fabricados para esta finalidade. Há outras formas do descarte de lixo orgânico doméstico sem a necessidade de sacolas plásticas. Como você mesmo diz, é preciso ler um pouco mais a respeito.

      Quando se calcula o custo ambiental deve-se levar em conta desde o início do processo e isso vale para todos os materiais. Os consumidores ainda não levam isto em conta. Um frasco de vidro retornável pode ser reutilizado milhares de vezes. Este número bate fácil a quantidade de frascos plásticos, a matéria prima para a sua fabricação e consumo de combustíveis do transporte. Tanto é que aos poucos, timidamente, garrafas de vidro para refrigerantes já estão retornando à praça. Os distribuidores estão a par de uma tendência natural num futuro próximo do fim dos frascos plásticos para bebidas.

      Quanto a afirmativa de que o plástico é 100% reciclável, não passa de uma repetição estúpida daqueles que interpretam o sistema de reciclagem como lhes convém. O conceito de reciclagem diz respeito aos materiais que podem retornar ao estado original e serem transformados novamente em produtos iguais em todas as suas características. Sacolas plásticas se tornam baldes, sacolas de lixo, pás de jardim, flores artificiais… sempre de qualidade e características físicas diferentes e inferiores das originais. O fim inexorável, após dois ou três reaproveitamentos (este é o termo correto) se transformam em carga e o destino acaba sendo o lixo, da mesma forma. Tudo aquilo que é um subproduto, como placas de revestimento, isolantes térmicos etc. após sua vida útil terão o mesmo destino.

      E não existem “fábricas recicladoras”. O que há são empresas que aproveitam determinadas matérias primas para a produção de outras. E se aproveitam do equívoco do termo para seu greenwash, tentando passar uma imagem positiva para a sociedade.

      É interessante como ainda se acredita que somente o destino correto do lixo é a panacéia de salvação, representando a solução para as questões ecológicas. Poucos se dão conta de que tudo começa quando optamos pelo nosso perfil de consumo. Consumir só o necessário e saber optar tanto pela qualidade do produto quanto da embalagem, seria o primeiro passo.

      E, de fato, o que falta é educação. Inclusive para debater temas desta natureza com seriedade e isenção emocional. Saber filtrar o que se apreende através da internet também é importante, identificando manipulações de dados de proposições válidas, usadas para distorcer a realidade e impor falsas deduções.

      Lamentavelmente a sociedade de consumo possui uma poderosa aliada: a estupidez. Ignorantes somos todos, mas estúpidos são aqueles que se aproveitam de informações aparentemente coerentes, sem conhecimento das tendências e origem, se utilizam delas - paladinos que são - em defesa de valores intrínsecos à sociedade humana e não àquilo que de fato diz respeito ao meio ambiente.

      Saudações,

      Cristiano

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