Lições aprendidas na 5ª Conferência Internacional sobre Detritos Marinhos

A 5th International Marine Debris Conference, decorreu em Honolulu, Hawai’i entre 20 e 25 de Março de 2011, sendo um enorme sucesso de comunicação de projectos das mais variadas áreas, desde investigação científica, desenvolvimento tecnológico e industrial e educação e consciencialização ambiental, contando com representantes de cada uma das áreas descritas.



Lisboa, 02 de maio de 2011

Lições aprendidas na 5ª Conferência Internacional sobre Detritos Marinhos

"Get in Line" Andrew Hughes Photography Image from Dominant Wave Theory | © Andy Hughes MA RCA 2007


por João Frias, do Instituto do Mar (IMAR)

A 5th International Marine Debris Conference, decorreu em Honolulu, Hawai’i entre 20 e 25 de Março de 2011, sendo um enorme sucesso de comunicação de projectos das mais variadas áreas, desde investigação científica, desenvolvimento tecnológico e industrial e educação e consciencialização ambiental, contando com representantes de cada uma das áreas descritas.

A conferência co-organizada pelo National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e o United Nations Environment Programme (UNEP) encontrava-se bastante bem organizada, tendo sido pensadas as sessões de apresentação de resultados de modo a possibilitar aos participantes poderem facilmente identificar um tema de interesse e assistir aos resultados de programas e investigações até à data.

Os oradores das sessões plenárias esforçaram-se sempre por realçar a ideia de todos os intervenientes trabalharem em conjunto, através do estabelecimento de parcerias e protocolos, no sentido de juntos podermos ser a solução para o problema dos detritos marinhos no oceano. Nestas sessões estiveram representantes políticos norte-americanos e europeus, representantes da indústria, das Nações Unidas, do NOAA, activistas de causas ambientais, educadores e mediadores culturais, abrangendo todas as possíveis áreas de intervenção para a resolução destes problemas ambientais. O mediador cultural, cantor, poeta e filósofo Kalani Souza, de dupla nacionalidade hawaiiana e japonesa, explicou à audiência na sessão plenária do primeiro dia um conceito extremamente interessante para aplicação no quotidiano de todos as pessoas presentes. O conceito apresentado foi itai-doshin, cujo significado tem a ver com a unidade de várias pessoas de diferentes áreas no sentido de atingirem um objectivo comum, que irá beneficiar todos. A sabedoria de Kalani manifestou-se durante toda a semana em que decorreu a conferência, onde as suas intervenções na forma de comunicação oral ou canções falavam de assuntos profundos como o facto de existir apenas um oceano global cuja água completa o seu ciclo passando por todas as fases (vapor, água e gelo) em todos os ambientes terrestres. Um dos temas que Kalani falou foi o facto de podermos ter uma vida absolutamente feliz ao experienciarmos uma vida em que estamos ligados a 7 gerações, incluindo a nossa (bisavós, avós, pais, o próprio, filhos, netos, bisnetos). Termos contacto com estas gerações faz com que possamos sempre aprender mais, tanto acerca do passado como do futuro, aprendendo com quem é mais experiente que nós, e ensinando as novas gerações a respeitarem-se assim como o meio ambiente.

Outra das pessoas que esteve presente foi Jean-Michel Cousteau, filho de Jacques Cousteau, fez uma intervenção baseando-se nas memórias que tinha de infância e de como experienciou ao longo dos anos a degradação e poluição do ambiente marinho, tentando sempre tomar medidas através da educação ambiental para contrariar esta tendência. Na sua intervenção mostrou alguns vídeos que irão integrar um documentário em França e cujo objectivo é mostrar o problema e educar as pessoas para a redução na fonte.

Também inserido na conferência estava a exposição de fotografia, artes plásticas e escultura intitulada The Sixth Gyre: Arts, Oceans, and Plastic Pollution com vários artistas dos Estados Unidos da América, do Reino Unido e do Quénia.

Ainda na programação da Conferência foram realizados vários workshops, com introduções teóricas e partes práticas, acerca dos mais variados temas (limpeza de praias, educação ambiental, produção de energia a partir de resíduos recolhidos no oceano, nomeadamente redes).

No final, os participantes fizeram um compromisso chamado o Compromisso de Honolulu, e tiveram acesso a um documento intitulado a Estratégia de Honolulu, que permitirá traçar linhas de acção especificas na redução da quantidade de plástico no oceano.

Pessoalmente foi uma incrível oportunidade de ver e rever pessoas que foram e são importantes modelos a seguir no meu percurso académico. Queria ainda agradecer a todos os que participaram activamente, quer tenham estado presentes ou não.

João Frias é Mestre em Engenharia do Ambiente pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL), trabalhando na investigação científica de plásticos e microplásticos nas praias portuguesas, no Instituto do Mar (IMAR). Encontra-se neste momento a iniciar o Programa Doutoral em Ambiente (PhD).

(Global Garbage/EcoD)



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