Isopor jurado de morte

O isopor está entrando para o corredor da morte que já é ocupado pelas sacolas plásticas, os organoclorados e o CFC. Os produtos e substâncias que ali entram enfrentam progressivas restrições que dificultam ou impedem sua comercialização, com a finalidade última de tirá-los do mapa por causa dos seus impactos ambientais.



07.06.2011

Isopor jurado de morte

Península de Maraú, Bahia. © Fabiano Prado Barretto/Global Garbage


por Regina Scharf # em De lá pra cá

O isopor está entrando para o corredor da morte que já é ocupado pelas sacolas plásticas, os organoclorados e o CFC. Os produtos e substâncias que ali entram enfrentam progressivas restrições que dificultam ou impedem sua comercialização, com a finalidade última de tirá-los do mapa por causa dos seus impactos ambientais.

O estado norte-americano da California, pioneiro em vários frontes da sustentabilidade, está em vias de proibir a utilização do poliestireno (matéria-prima do isopor, derivada de petróleo) em embalagens. A decisão foi anunciada na semana passada pelo Senado estadual, mas ainda terá de ser ratificada pela Assembléia Legislativa. Ela provavelmente entrará em vigor em 2014, segundo o Los Angeles Times. Cinquenta cidades californianas, incluindo San Francisco, Santa Monica e Malibu, já haviam tomado decisão semelhante.

O isopor é muito difícil de degradar, acumula-se em rios e é frequentemente ingerido por animais. Estatísticas do Departamento de Transportes da California indicam que ele representa 15% do entulho que entope canalizações na California. Também é o segundo tipo de resíduo mais comum nas praias do estado. Além disso, ele é uma cadeia de moléculas de estireno, substância que a EPA olha com desconfiança. Ela indica uma série de efeitos negativos observados naqueles expostos continuamente ao estireno, como dores de cabeça, depressão, perda auditiva, problemas neurológicos. E, embora a agência ambiental norte-americana não faça uma declaração definitiva a respeito, indica que:

“Vários estudos epidemiológicos sugerem que pode haver um vínculo entre a exposição ao estireno e um aumento no risco de leucemia e linfoma. Entretanto, as evidências não são conclusivas devido à exposição a múltiplas subtâncias químicas e informação insuficiente sobre os níveis e a duração da exposição”.

Claro, os problemas apontados pela EPA foram observados em trabalhadores que tiveram exposição profissional, intensa e prolongada, ao estireno. Mas o risco está aí, principalmente se lembrarmos que o isopor é extremamente comum nos restaurantes e cafés dos Estados Unidos, que servem cafés, milkshakes, sanduíches e refeições para viagem nesse tipo de embalagem.

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4 Responses to “Isopor jurado de morte”

  1. André Papi disse:

    Muito bom saber que o uso do poliestireno está sendo pensado dessa maneira, ainda que longe do Brasil, porém acredito que essa mudança deva ocorrer de forma gradativa, primeiro banindo ele dos produtos descartáveis(bandejas, copos, embalagens, etc) e paralelamente proporcionando incentivos fiscais e novas leis para uma remodelação das industrias.

  2. As fibras vegetais e principalmente a da fibra de coco pode vir a substituir inúmeras aplicações do Isopor, mas quando se verifica que é mais caro o interesse se esgota.Tratamento acústico / térmico / filtros / embalagens etc
    Um bom exemplo: Já oferecemos bandejas para produtos orgânicos , pois agregaria um plus ao produto. Nada conseguimos e posso garantir que não inviabilizava o produto.
    O que falta são leis , pois a consciência é nula.

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