Pellets plásticos no almoço

Pellets plásticos vêm sendo espalhados de Norte a Sul do planeta viajando longas distâncias e misturando-se ao plâncton até ser ingerido por algum animal. No início de 2011, uma pesquisa analisou estômagos de peixes vendidos em duas colônias de pesca em Salvador para aferir se os animais apresentavam microplástico junto ao conteúdo estomacal.



Salvador, 19 de outubro de 2011

Pellets plásticos no almoço

Foto: International Pellet Watch www.pelletwatch.org


Daniele Miranda
Comissão Científica da Global Garbage

Em uma rotina diária, pescadores artesanais vão ao mar com as suas linhas, anzóis e arraieiras buscar os mais variados tipos de peixes para vender em suas colônias. Em algumas dessas idas e vindas, foi realizada uma intervenção científica para estudar o conteúdo estomacal dos peixes que chegavam as colônias da Pituba (APEPI – Associação dos Pescadores da Pituba) e Itapuã (COOPI – Cooperativa de Pescadores de Itapuã), localizadas na orla da cidade de Salvador para investigar a presença de microplástico no estômago destes peixes que estão no cardápio de muitos baianos.

O microplástico em questão é o pellet, que é a matéria-prima da qual são fabricados os mais diversos tipos de materiais plásticos (como garrafas, canetas, computadores, etc.). Estes acabam chegando ao mar por descuidos no transporte, na utilização ou na fabricação. Podem ser carregados por rios, chuvas ou até pelo vento e podendo trazer grandes prejuízos ao meio ambiente e ao homem, uma vez que o plástico acumula substâncias químicas como Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), que estão proibidos no Brasil há mais de cinco anos. Se animais como peixes ingerem o pellet contaminado, este facilmente pode bioacumular o poluente nos seus tecidos e passar aos humanos em uma simples refeição.

Na pesquisa realizada foram examinados 32 peixes pertencentes a 11 espécies. Deste total, sete animais traziam junto aos seus conteúdos estomacais pellets plásticos, sendo cinco deles conhecidos como cavala (Scomberomorus cavalla) e dois como caçonete (Rhizoprionodon lalandii). Tanto na Pituba quanto em Itapuã foram registrados peixes com tal contaminação.

Pouco se sabe sobre os efeitos do pellet no ambiente marinho, menos ainda no organismo dos peixes e sabe-se quase nada da implicação deste quando em contato com a alimentação humana.

Daniele Miranda é Bióloga pela Universidade Católica do Salvador (UCSal-BA), em seu TCC investigou a presença de microplástico no estômago de peixes de importância econômica em Salvador.

Pellets encontrados no estômago do Scomberomorus cavalla coletado na praia da Pituba. Foto: Lara Gomes


Pellets encontrados no estômago do Scomberomorus cavalla coletado na praia de Itapuã. Foto: Lara Gomes


Pellet encontrado no estômago do Scomberomorus cavalla coletado na praia da Pituba. Foto: Lara Gomes


Escala mostrando o tamanho dos microplásticos encontrados junto aos conteúdos estomacais. Foto: Daniele Miranda



Leia também

Presença de microplástico no conteúdo estomacal de peixes de importância econômica em Salvador

Lágrimas de sereia em nossas praias: mais uma poluição marinha

Maior quantidade de “lágrimas de sereia” está em Santos, diz pesquisa da USP

“Plastic Pellets” nas praias de Santos

Lágrimas de sereias nas praias da Região – Dez bilhões podem chegar à zona costeira

Gestão de resíduos sólidos no ambiente marinho: pellets plásticos

Distribuição, taxa de entrada, composição química e identificação de fontes de grânulos plásticos na Enseada de Santos, SP, Brasil

Pellets – Global Garbage

International Pellet Watch

Plastic debris ingestion by marine catfish: An unexpected fisheries impact

Here, there and everywhere. Small plastic fragments and pellets on beaches of Fernando de Noronha (Equatorial Western Atlantic)

On the importance of size of plastic fragments and pellets on the strandline: a snapshot of a Brazilian beach

Adsorption of trace metals to plastic resin pellets in the marine environment

Diffuse pollution by persistent organic pollutants as measured in plastic pellets sampled from various beaches in Greece

Occurrence, distribution and characteristics of beached plastic production pellets on the island of Malta

Organic pollutants in microplastics from two beaches of the Portuguese coast



2 Responses to “Pellets plásticos no almoço”

  1. Jadyr disse:

    Fabiano, boa tarde,

    Estou no ramo de plásticos desde 1978, conheço um pouco dessa área, acredito que o maior problema desta contaminação da nossa costa venha da própria industria petroquímica, que esta com polos instalados a beira mar, ou em rios próximos do mar, são os maiores, o primeiro a ser construído em Cubatão/SP, logo depois na década de 70 em Camaçari/BA e na década de 80 em Triunfo/RS, nessa época nem se pensava e ecologia, os sacos desses materiais tinham uma vávula que teria que se fechar automaticamente após o enchimento, o que não ocorre, então temos uma carreta com 1000 sacos de 25 kg saindo do deposito da Petroquímica para rodar esses Brasil todo, e vazando um pouco, que sejam 10 gramas por saco, logo na saída, porque depois para, nas rodovias, rios e riachos desse país, agora imagina, que um Polo Petroquímico produz ao longo de 1 ano e multiplique isso pelas 10 gramas que fugiram da carreta que citei, ai você terá uma contaminação generalizada pelo país todo, sem que possam achar os culpados, já que desconheço uma legislação que proíba o uso destes sacos valvulados. Veja que não é difícil achar os culpados, mas o problema é o poder financeiro deles.

    Abraços

    Jadyr

    http://br.groups.yahoo.com/group/AVBS_/message/3158

Leave a Reply