Plástico é uma ameaça às tartarugas

A sacola plástica tão útil nos dias de compras em supermercado pode ser o principal motivo para a crescente mortandade de tartarugas marinhas que chegam a costa alagoana. Nos últimos três meses, mais de vinte animais foram encontrados encalhados nas praias de Maceió e 90% deles, tiveram como causa da morte constatada a ingestão de lixo doméstico.



13/11/2011

Plástico é uma ameaça às tartarugas

Animais encalham em praias e morrem pela ingestão do lixo doméstico


LÁYRA SANTA ROSA
layrasantarosa@ojornal-al.com.br

A sacola plástica tão útil nos dias de compras em supermercado pode ser o principal motivo para a crescente mortandade de tartarugas marinhas que chegam a costa alagoana. Nos últimos três meses, mais de vinte animais foram encontrados encalhados nas praias de Maceió e 90% deles, tiveram como causa da morte constatada a ingestão de lixo doméstico.

As tartarugas, que estão em período de desova desde o início de setembro, são os principais alvos dessa poluição que atinge os mares. Ao chegarem ao litoral para deixarem seus ovos, elas acabam confundindo os plásticos com águas vivas, seu alimento preferido. O problema é que o plástico demora 200 anos para se decompor na natureza e não é digerido pelo réptil, que acaba morrendo por sufocamento ou por inanição (parar de se alimentar) por que sente constante saciedade.

Para biólogos e ambientalistas, o plástico tem sido hoje um grande problema para a preservação do meio ambiente e um dos grandes inimigos da vida marinha, em especial das tartarugas. Pesquisas apontam que, no Brasil, um bilhão de sacos plásticos são distribuídos pelos supermercados, isso significa 33 milhões por dia e 12 bilhões por ano, ou 66 sacolas plásticas para cada brasileiro em apenas um mês. E o pior é que a maioria delas só é utilizada uma única vez.

Mortandade aumenta em período de desova

Como não existe um órgão que cuide especificamente da vida marinha em Alagoas, uma estimativa das ONGs que trabalham com a preservação de tartarugas é que só em 2011, mais de 80 animais tenham morrido em todo litoral Alagoano. Porém, nos últimos três meses, quando iniciou o período de desova, que vai até março, é que a situação têm se complicado.

Em Maceió, a equipe do Instituto Biota de Conservação tem tido trabalho dobrado, principalmente nos finais de semana, quando o movimento de pessoas aumenta nas praias. “Quando recebemos um chamado para encalhes nas praias de Maceió, encaminhamos uma equipe para fazer todo o levantamento. A necropsia é feita no local e retiramos material para análise. Essas informações são enviadas para o setor de Biologia da Universidade Federal de Alagoas para estudos”, contou Eri Araújo, diretora do Biota.

Pelo menos 90% dos resultados das necropsias das tartarugas, que são feitas através da coleta de material estomacal, o lixo doméstico têm aparecido como causa aparente das mortes. “Já encontramos bola de sopro, teclado de computador e sacolas plásticas no organismo de tartarugas. Elas confundem o lixo como alimentos e acabam sufocando”, explicou Eri Araújo, que é estudante de biologia da Ufal.

Instituto é referência nos dados com tartarugas

Sem incentivos do Governo Federal, o Biota trabalha no litoral maceioense há dois anos e tem se tornado referência nos cuidados com tartarugas. Hoje, um dos principais objetivos do instituto é conseguir fazer com que Maceió passe a fazer parte do Projeto Tamar, que pertence ao Instituto Federal Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e cuida de animais marinhos.

“O nosso sonho é que um dia Maceió possa fazer parte do Tamar. Temos muitos casos de desovas nas nossas praias e de encalhes. Por isso, fazemos essa coleta de dados, enviamos para Universidade e quem sabe um dia, com comprovação através de estatística eles resolvam inserir o projeto no nosso Estado. Hoje, eles estão apenas na Praia do Peba, em Penedo, mais temos outros pontos com grande incidência que também merecem atenção”, afirmou Eri Araújo.

O instituto também trabalha com a recuperação de tartarugas e com o acompanhamento de ninhos, devolvendo os filhotes após o nascimento para o mar. “Quando encontramos uma tartaruga encalhada com vida, trazemos para a sede do Instituto de passamos a cuidar dela. É um trabalho duro, com o acompanhamento de veterinário. No final de outubro deste ano conseguimos devolver um desses bichos ao mar. Foi uma vitória”, relatou.

IMA busca controlar a chegada de lixo às praias

Em uma ação que poderá ser determinante para controlar a chegada de lixo as praias de Alagoas, o IMA se prepara para realizar em 2012 o combate aos lixões municipais, principalmente, aqueles que ficam próximos a região litorânea. Justamente por não existir o tratamento e separação dos resíduos domésticos, que esse material termina nos oceanos.

“Já estamos fazendo esse levantamento de todos os lixões do Estado. Essa será uma medida que está sendo discutida com os municípios e deverá ser aplicada no próximo ano. Não podemos mais permitir que esses lixões continuem”, afirmou Ricardo César. “Sem tratamento do lixo, os resíduos não tem o destino correto. Eles são depositados em qualquer parte, inclusive próximos de rios que desembocam no mar e com as chuvas e o vento, tem destino certo para os oceanos”.

Segundo o diretor técnico do IMA,a medida será muito importante, mas é preciso ainda que exista um trabalho de conscientização intenso com a população. “Hoje, o uso do plástico na nossa sociedade é muito grande. Existe ainda a disposição inadequada em quase toda área costeira. Como se trata de material de fácil transporte, acaba chegando às praias facilmente. É preciso entender que todos têm um pouco de responsabilidade sobre isso”, disse.

Dados sobre mortes são repassados por ONGs

O IMA tem poucas informações sobre a mortalidade de tartarugas em Alagoas. Os dados que eles recebem chegam através das ONGs que cuidam desses animais. “Geralmente, quando recebemos chamados de encalhe passamos a informação para as ONGs e elas ficam responsáveis pelas necropsias. Elas têm cadastro no Ibama e a sempre passam informações para a gente”, explicou Ricardo César.

“Pelo que fomos informados, hoje a maior parte das mortes no nosso litoral está ligada à ingestão de lixo pelas tartarugas. Esses resíduos são um dos grandes problemas que enfrentamos por serem altamente poluentes”, disse o diretor técnico.

Segundo ele, o que acontece com as tartarugas é que elas confundem as sacolas plásticas que bóiam no oceano com alimentos. “A água viva é um alimento preferido das tartarugas. Quando o saco está boiando, elas acabam confundindo, já que visualmente se assemelha. O plástico acaba ficando preso no sistema digestivo, que não tem enzimas para digerir esse material e elas acabam morrendo. Algumas sentem sensação de saciedade e sequer, conseguem se alimentar”, falou.

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