O lixo nosso de cada dia

E os resíduos são tão diversificados como à quantidade de espécies encontradas. Surpreendentes pedaços de vela, garrafa de cerveja, petrechos de pesca, sacos plásticos, balões de festa, embalagens de bala, passando ainda por muitos outros materiais. Os danos também são os mais diversificados, podendo chegar à morte do animal.



Salvador, 14/11/2011

O lixo nosso de cada dia

Greenpeace©/Carè©/Marine Photobank


Daniele Miranda
Comissão Científica da Global Garbage

Infelizmente, não é novidade que milhares de animais vêm a óbito todo ano devido a descuidos humanos com o lixo. De norte a sul do Brasil surgem registros de animais que interagiram de alguma forma com o lixo, através de enroscamento, ingestão, por asfixia, para refúgio ou ainda outras formas não naturais.

No primeiro semestre, realizou-se um levantamento de registros feito por pesquisadores e instituições relacionadas a animais, que associava animais a qualquer tipo de lixo marinho, na sua maioria composto por plástico. Os dados incluiram informações divulgadas desde 1998 na costa litorânea da Bahia. Através desta compilação de dados, encontrou-se uma lista de animais que incluía 47 tartarugas marinhas, três aves, dois peixes, um tubarão, uma baleia, um golfinho e um lobo marinho.

E os resíduos são tão diversificados como à quantidade de espécies encontradas. Surpreendentes pedaços de vela, garrafa de cerveja, petrechos de pesca, sacos plásticos, balões de festa, embalagens de bala, passando ainda por muitos outros materiais. Os danos também são os mais diversificados, podendo chegar à morte do animal. Entre os vários malefícios do plástico, ele também funciona como um flutuador no estômago dos animais, impedindo o mergulho para caça e locomoção, tornando-o uma presa vulnerável.

Atualmente é quase impossível imaginar o progresso sem os benefícios do plástico, mas sem os benefícios de oceanos saudáveis torna-se totalmente impossível a manutenção da vida no planeta.

Medidas como redução de consumo, reutilização de materiais, reciclagem e políticas públicas efetivas para proteção dos oceanos devem ser adotadas em caráter de urgência, para que não cheguemos ao colapso total dos oceanos e de todos que deles dependem.

Daniele Miranda é Bióloga pela Universidade Católica do Salvador (UCSal-BA)



One Response to “O lixo nosso de cada dia”

  1. Nelson disse:

    Isso ai! Força aos oceanos! Parabéns pelo trabalho!

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