O litoral do Rio Grande do Sul e o lixo marinho

A praia do Cassino possui aproximadamente 32 km (dos molhes ao Navio Altair) que são diretamente impactados pelos usuários da praia. No entanto, devido ao forte trânsito de embarcações de cabotagem e pesqueiras, o problema do lixo marinho está presente mesmo nos locais mais distantes, como é o caso dos “Concheiros do Albardão”, pertencente ao Balneário Hermenegildo (Santa Vitória do Palmar) e situado no extremo sul do país.



Rio Grande, 22 de novembro de 2011

O litoral do Rio Grande do Sul e o lixo marinho

Concheiros do Albardão. Foto: Fábio Lameiro Rodrigues


Fábio Lameiro Rodrigues
Comissão Científica da Global Garbage

O litoral do Rio Grande do Sul possui uma extensão de aproximadamente 620 km, desde Torres (divisa com Santa Catarina) até o Chuí (divisa com o Uruguai). A planície costeira é retilínea e caracterizada por extensas praias arenosas, com longos cordões de dunas. Este ambiente recebe ao longo de todo o ano uma intensa carga de resíduos sólidos, tanto de origem terrestre, como marinha. No litoral norte (de Torres a Quintão), os resíduos de origem terrestre são provenientes principalmente das cidades balneárias e chegam à praia pela vazão dos estuários de Torres (Rio Mampituba) e Tramandaí (Rio Tramandaí) ou por meio do descarte/abandono dos resíduos, deliberadamente no ambiente praial. Resíduos de origem marinha são transportados pelas correntes marinhas, oriundos principalmente das embarcações em trânsito, e até mesmo de outros estados e países.

Concheiros do Albardão. Foto: Fábio Lameiro Rodrigues


A porção central do litoral é menos urbanizada e desenvolvida, e nela está localizado o Parque Nacional da Lagoa do Peixe. A grande maioria dos resíduos que aportam na praia é proveniente do mar, descartado por navios de cabotagem e/ou embarcações pesqueiras. Dependendo da sua direção, as correntes litorâneas podem atuar como meio de transporte dos resíduos provenientes do litoral norte e sul. Nos meses de inverno há um predomínio de correntes no sentido Norte e durante o verão, no sentido Sul. O vento, que possui marcada sazonalidade ao longo de todo o litoral, também promove o transporte de resíduos, principalmente de plásticos, como as garrafas PET, sacolas e demais subprodutos.

Lixo marinho global. Foto: Fábio Lameiro Rodrigues


O litoral sul engloba a desembocadura do estuário da Lagoa dos Patos até o Chuí, divisa com o Uruguai, em aproximadamente 220 km de praias contínuas. O estuário do sistema lagunar Patos-Mirim é uma fonte de resíduos para o ambiente praial adjacente, pois é nele que deságua a grande maioria dos rios do estado. Estes rios, principalmente durante os períodos chuvosos, transportam uma grande carga de resíduos provenientes da lavagem do solo das cidades pela água da chuva. Além disso, o desenvolvimento nos últimos 10 anos do balneário Cassino (Rio Grande), atrelado a falta de educação e respeito dos usuários da praia e a ineficiente fiscalização realizada pelo município, têm tornado a praia do Cassino (principal balneário da região sul), um lixão a céu aberto. A praia do Cassino possui aproximadamente 32 km (dos molhes ao Navio Altair) que são diretamente impactados pelos usuários da praia. No entanto, devido ao forte trânsito de embarcações de cabotagem e pesqueiras, o problema do lixo marinho está presente mesmo nos locais mais distantes, como é o caso dos “Concheiros do Albardão”, pertencente ao Balneário Hermenegildo (Santa Vitória do Palmar) e situado no extremo sul do país.

Lixo marinho global. Foto: Fábio Lameiro Rodrigues


A presente matéria pretende estimular a reflexão a respeito da destinação que é dada ao lixo e que esse não deve, de forma nenhuma, tornar-se Lixo Marinho Global. Devemos ter sempre em mente que a principal causa da existência de lixo marinho está na incorreta destinação que é dada aos resíduos sólidos que nós geramos. Sendo assim, é sempre importante lembrar que a grande maioria do lixo gerado pode ser reutilizada, reaproveitada e principalmente, RECICLADA. Quando estiver aproveitando um lindo dia de sol na beira da praia, não se esqueça de recolher o seu lixo e dar a ele a destinação correta.

Fábio Lameiro Rodrigues é Oceanógrafo, Mestre em Oceanografia Biológica e atualmente estudante de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Oceanografia Biológica (FURG).



8 Responses to “O litoral do Rio Grande do Sul e o lixo marinho”

  1. Milena disse:

    Muito bom! Acho triste chegar à praia e ver a quantidade de lixo poluindo sua beleza natural.

  2. Scooby disse:

    E a porqueira da festa de Iemanjá, não conta??

  3. Ana Boeira disse:

    Parabéns Fábio pelo de alerta. A conscientização de todos (banhistas, poder público, surfistas, pescadores e comunidade) é o foco da ong-maRSeguro,para que todos possam usufruir do mar gaúcho em segurança.

  4. Fabiano disse:

    Huuuuuuuuuuuu…. pode cre… ja era…

  5. Felipe Dumont disse:

    Parabéns pelo artigo! Vem em boa hora, já que nos aproximamos do verão.

  6. Muito oportuno e importante o texto. Parabéns e que surta efeito na população toda.

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