Workshop reúne experiências de gerenciamento de dados marinhos

Embora o Brasil seja um dos países com maior área litorânea do mundo, o conhecimento sobre os biomas costeiros e marinhos ainda é incipiente no país. Para tentar inverter a situação, cientistas brasileiros se reuniram com especialistas de diversos países no workshop Marine Data Management, realizado na sede da FAPESP nos dias 11 e 12 de abril.



13/04/2012

Workshop reúne experiências de gerenciamento de dados marinhos

Cientistas de diversos países se reúnem na FAPESP em encontro para criar diretrizes que possam melhorar a coleta e o compartilhamento de informações sobre a costa e o mar do Brasil

Photo: Nina Kristin Nilsen, SY Bika. San Francisco, California, USA, 2010.


Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Embora o Brasil seja um dos países com maior área litorânea do mundo, o conhecimento sobre os biomas costeiros e marinhos ainda é incipiente no país. Para tentar inverter a situação, cientistas brasileiros se reuniram com especialistas de diversos países no workshop Marine Data Management, realizado na sede da FAPESP nos dias 11 e 12 de abril.

Como melhorar e orientar a coleta de dados nessa área e como articular as informações já existentes foi a linha condutora do evento. “A coleta de dados marinhos, quando comparada à feita no ambiente terrestre, é muito mais cara e logisticamente difícil. Por isso, é importante tirar o maior proveito possível dos recursos investidos, o que envolve ações de gerenciamento de dados”, explicou o geógrafo Luis Conti, membro do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (NP-BioMar) da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores do evento.

Segundo Conti, a pressão sobre a costa e o mar tende a aumentar muito nos próximos anos, pois ao crescimento econômico do Brasil estão atrelados investimentos na construção de portos, na exploração de petróleo e outras fontes de energia, na construção de oleodutos e no transporte marítimo. “É preciso conhecer melhor esse ambiente e saber quais são as áreas mais vulneráveis à ação humana para que seja possível planejar ações de conservação”, disse.

Falta de conhecimento, no caso brasileiro, não significa falta de dados. “Temos bons trabalhos na área de identificação de espécies e taxonomia. Mas não adianta saber toda a linha evolutiva de um bicho ou de uma planta e não conhecer sua relação com o hábitat”, disse Conti.

O maior problema é o fato de os dados existentes estarem pulverizados e muito pouco acessíveis ao público em geral e mesmo à comunidade científica.

“Há, por exemplo, um mapa de topografia em uma gaveta do Instituto Oceanográfico. Os dados de correntes marinhas estão com a Marinha. As informações sobre a biologia estão em um catálogo em algum instituto de biociências. Está tudo disperso. Ninguém ainda conseguiu reunir todas essas informações de modo que se possa ter uma noção do conjunto”, afirmou.

O workshop foi importante para mostrar aos participantes como outros países têm trabalhado para melhorar a coleta de dados marinhos e para criar sistemas de informação e bancos de dados integrados.

O representante da Agência Ambiental Europeia, Andrus Meiner, falou sobre como foi importante criar marcos legais para regulamentar a coleta e o compartilhamento de informações que ajudam a orientar o uso do ambiente marinho pelos diversos países do bloco.

Meiner mostrou também algumas iniciativas que estão sendo implementadas, como o European Marine Observation and Data Network (EMODnet) – um portal com informações sobre o terreno de diversas regiões marinhas europeias – e o Eye On Earth – uma rede on-line de mapeamento e compartilhamento de informações ambientais.

Simon Claus, do Instituto Marinho de Flanders, na Bélgica, contou como foi complexa a padronização dos nomes das espécies marinhas durante a criação do World Register of Marine Species (WoRMS) – um banco de dados que pretende reunir uma lista completa de organismos marinhos.

Claus mostrou também como é o processo de classificação e registro dos dados recebidos pelo instituto antes de sua inclusão em um banco disponível para consulta.

Rikk Kvitek, da California State University, nos Estados Unidos, um dos maiores especialistas mundiais em batimetria – medição da profundidade de oceanos, lagos e rios –, falou sobre sua experiência em mapear a região costeira da Califórnia.

Segundo Conti, essa é uma das áreas em que o Brasil mais precisa investir na coleta de dados. “Eles já cometeram erros ao mapear o terreno da Califórnia, podemos aprender com eles”, disse.

Após o término das exposições e dos debates abertos ao público, na sexta-feira (13/04) ocorrerá uma rodada de discussões entre os palestrantes estrangeiros e cientistas brasileiros, com a proposta de definir diretrizes para orientar futuras pesquisas sobre o ambiente marinho no Estado de São Paulo.

“Pretendemos definir as prioridades na coleta de dados para os próximos anos e como padronizar o registro de informações para que, no futuro, elas possam ser integradas não apenas com a de outros grupos de pesquisa paulistas, mas também de outros Estados”, afirmou Conti.

Agência FAPESP



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