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23/03/2005 - Revista Veja
1 Bilhão de reais em dois anos

Chovem investimentos no ensolarado litoral baiano, que não pára de ganhar novos complexos turísticos.

Sol o ano inteiro, coqueiros, areia branquinha, mar azul – não espanta que os 950 quilômetros de litoral na Bahia, parte deles quase inexplorada, venham à mente quando se trata de investimentos turísticos no país. O que impressiona neste momento, isso sim, é a quantidade: hotéis, pousadas e resorts pipocam por todas as seis “costas” (a dos Coqueiros, a da Baía de Todos os Santos, a do Cacau, a do Dendê, a do Descobrimento e das Baleias) em que a orla baiana se divide. Muitos são locais pequenos, simples e sem luxos; outros buscam hóspedes com muito dinheiro, oferecendo em troca campos de golfe de padrão internacional, estrutura para pesca e esporte náuticos, spas bem equipados, bons restaurantes, acomodações confortáveis e serviço de qualidade. Até o fim de 2007, nove empreendimentos, compreendendo 2500 apartamentos (com outros 960 previstos para os anos seguintes), estarão prontos a receber hóspedes dispostos a pagar diárias de no mínimo 600 reais – um investimento de mais de 1,1 bilhão de reais. Deste, quase 680 milhões de reais respondem por um único conjunto hoteleiro, o Iberostar, do grupo espanhol do mesmo nome. Outros 440 milhões brotam da onda de redescobrimento do Brasil: cinco grupos portugueses estão bancando outros tantos resorts no litoral baiano, empurrados pelo encanto dos lusitanos pela Bahia – é o terceiro maior contingente de turistas, atrás apenas de italianos e americanos.

Quatro dos novos resorts de alto padrão vão se instalar ao longo da Costa dos Coqueiros, quase 200 quilômetros de praias no litoral norte da Bahia onde já se aloja um empreendimento gigante: a Costa do Sauípe, conjunto de cinco hotéis e seis pousadas com oferta de 1500 apartamentos, mais campo de golfe, esportes náuticos, lojas e restaurantes. Com 2 quilômetros de praia, o maior projeto em andamento é o monumental Iberostar Praia do Forte, segunda investida do grupo espanhol no Brasil (a outra é um navio-hotel que começa a percorrer o Amazonas em abril). Quando estiverem prontos seus quatros hotéis na Bahia, o Iberostar terá 100 quartos a mais que Sauípe. Faz parte ainda do projeto de 250 milhões de dólares um condomínio de 208 casas com infra-estrutura e serviços de hotelaria e um campo de golfe com 27 buracos (nove a mais que o padrão, para que os hóspedes não se privem do esporte quando o resort estiver sediando torneios). O primeiro hotel, com 400 apartamentos, deverá ser inaugurado no fim deste ano, e os demais nos três anos seguintes. “ A beleza das praias e a cultura da região fazem com que cada vez mais pessoas de outros países se interessem por conhecê-la”, diz o espanhol Esteban La Cruz Percy, diretor de projetos da empresa no Brasil.

O Iberostar fica na Praia do Forte, a 3 quilômetros do mais antigo hotel do gênero da região, o Praia do Forte Eco Resort, com 250 apartamentos de frente para o mar (diária média de 600 reais por casal, com café e jantar incluídos). Quando foi inaugurado, na década de 80, o acesso era de balsa. Depois veio a Estrada do Coco e, em 1993, a Linha Verde, que começa perto do hotel, vai até a divisa com Sergipe e efetivamente povoou de turistas a Costa dos Coqueiros. Para encarar a concorrência, o Praia do Forte está investindo 6 milhões de reais em ampliação e modernização de instalações. Entre as melhores previstas estão spa de 3 000 metros quadrados, que deve estar pronto no segundo semestre, e cinqüenta novos apartamentos. “ Agora temos de criar demanda para tanta oferta de hotéis” , preocupa-se Alberto Jacques, diretor operacional do empreendimento.

Na mesma Costa dos Coqueiros, o canteiro de obras turísticas mais movimentado da Bahia., o grupo português Reta Atlântico está investindo 220 milhões de reais na construção dos três hotéis e 184 casas da Reserva Imbassaí. O primeiro, de bandeira Starfish (600 reais a diária do casal, administrada pelo grupo SuperClubs, pioneiro do sistema em que o preço da diária inclui tudo), será inaugurado no começo de 2007. Além do Iberostar e da Reserva Imbassaí, a região terá mais dois novos hotéis de alto padrão, um ainda neste ano e outro no ano que vem, ambos em Guarajuba, no município de Camaçari: o Vila Galé Marés (diária: 700 reais por pessoa, café e jantar incluídos), com grupo português de mesmo nome, e o Hotel Tivoli (diária: 700 reais o casal, café-da-manhã e almoço incluídos), do concorrente Espírito Santo.


Nos próximos dois anos, o número de acomodações nas seis costas em que se divide o litoral da Bahia deve saltar de 44.500 para 51.000. Destas, 2.500 terão diárias acima de 600 reais para casal.

Em Salvador, outro grupo português, o Pestana, já dono de seis hotéis no Brasil, está restaurando o histórico Convento do Carmo, prédio do século XVI que á foi hotel, estava desativado e será reinaugurado em setembro sob a bandeira Pousadas de Portugal – as outras 44, todas em território lusitano, estão instaladas em antigos castelos, palácios e conventos. Ao lado da pousada de oitenta apartamentos (diária de 1 000 reais por casal, com café-da-manhã), o Pestana pretende instalar um museu com 1 500 peças barrocas encontradas no antigo convento. Uma parte das peças originais está sendo usada na decoração do hotel, que tem duas capelas afrescos e azulejos portugueses em alguns apartamentos. O mais sofisticado entre todos os novos resorts baianos é o Warapuru, mais um projeto português, inspirado nos paraísos turísticos da Indonésia e da Tailândia pré-tsunami. De padrão seis estrelas, fica na costa do Cacau - a região próxima a Ilhéus imortilizada nos livros de Jorge amado e descoberta há pouco pelo turismo, por meio dos resorts Itacaré Eco Resort e Txai. “ Nosso objetivo é mimar o cliente, oferecendo, entre outras coisas, sete empregados por hóspede e uma arquitetura diferente”, diz o empresário João Vaz Guedes, 38 anos, que com três sócios e apoio da construtora da família, a Somague, vai investir 80 milhões de reais no negócio. O Warapuru terá quarenta bangalôs com piscina privativa incrustrados na Mata Atlântica e mais dezoito casa, com serviço de hotelaria e mordomo exclusivo – todas já vendidas, a preços que variam entre 750 000 e 1,2 milhão de dólares, mas que poderão ser ocupadas por hóspedes do hotel na ausência dos proprietários. No auge da ocupação, hospedará 150 pessoas, a diárias médias de 500 dólares (cerca de 1 350 reais).

Para o sul da Costa do Cacau está sendo projetado o Canavieiras Resort (diária: 600 reais por casal, com as três refeições incluídas), outro complexo administrado pelo grupo SuperClubs, com 250 apartamentos e estrutura para esportes náuticos e pesca esportiva. A Costa do Descobrimento, por sua vez, a mais voltada para o turismo de massa com a proliferação de pousadas em Trancoso e Porto Seguro, vai ganhar dois novos hotéis de alto padrão. Um fica ao lado do Club Med: é o Terravista Golf Hotel, com sessenta apartamentos, diária de 700 reais por casal, inauguração prevista para agosto de 2006 e localizado exatamente no meio do portentoso campo de golfe que já existe no local. Também em Trancoso será instalado o segundo resort Txai (diária de 1 200 reais, com todas as refeições incluídas), que deverá ficar pronto no fim do ano que vem. Não há projetos de alto padrão em vista para a Costa do Dendê, onde fica o luxuoso Kiaroa Beach Resort (32 apartamentos, diárias que vão de 730 a 1 370 reais por casal, com as três refeições incluídas, inaugurado em 2003), nem para a das Baleias – esta, ainda de acesso difícil e infra-estrutura precária.

A beleza, o clima, a disponibilidade e o inimitável jeitinho baiano não são os únicos motivos da invasão turística. O litoral da região virou meca dos empreendimentos do ramo primordialmente em razão da agressiva política de incentivos adotada pelo governo estadual desde 1991. “ Até o fim de 2006, vamos atingir a meta de investimentos públicos de 2 bilhões de dólares (cerca de 5,3 bilhões de reais) em obras de saneamento, estradas, criação de reservas ambientais, aeroportos e divisão das zonas turísticas do Estado”, enumera o secretário da Cultura e Turismo da Bahia, Paulo Gaudenzi. “ A Bahia tem um trabalho fantástico, persistente e bem planejado. Começaram limpando Salvador e depois saíram em busca de pontos para desenvolvimento estratégico”, elogia a empresária Chieko Aoki, presidente da Rede Blue Tree de administração hoteleira e que também se prepara para invadir a praia baiana: a partir deste mês, assume os chalés do resort Itacaré Eco Village, na Costa do Cacau, prometendo investir 5 milhões de reais em melhorias. Bem-sucedido na atração de investidores (até 2020, a capacidade hoteleira da Bahia, deve saltar de 44 500 para 68 000 apartamentos), o estado - e o hotéis, claro – preocupa-se agora em conquistar hóspedes para tanto quarto. Vão Ter de dar duro: inaugurado em 2000, Sauípe, o mais ambicioso projeto já implantado, só em 2004 chegou perto de 55% de ocupação, nível considerado bom. Agora, com tanto hotel para ser aberto, multiplica-se a necessidade de que uma multidão de turistas se disponha a ver o que é que a Bahia tem.

http://www.hotelexpo.com.br/a-feira-noticias-1bilhao-de-reais.asp



25/05/2005
Cilada da vida

Por Roberta Borges, texto e fotos

Nem sempre a vida percorre os caminhos que planejamos. Agora, por exemplo, escrevo sobre um assunto nada planejado, mas que não consigo deixar passar sem que algo seja dito.

Desde sábado à tarde, nós mulheres passamos a engordar a lista de mortes em redes de pesca no litoral do Rio Grande do Sul. A surfista Júlia Rosito, de 21 anos, morreu afogada presa a um cabo de rede, quando tentava varar a arrebentação num mar agitado e com muita corrente. Que droga!

Por que isso tem que acontecer todo início de inverno gaúcho? De quem é a culpa? Pois é, essa pergunta está difícil de ser respondida. Hoje, no RS, existe a lei 2004 que formaliza locais de pesca e de surfe. Alguns municípios não cumprem a lei, segundo o presidente da Federação Gaúcha de Surf.

Que descaso, vidas jogadas fora a exemplo de tudo que acontece nesse país, seja pela violência urbana, no trânsito, na falta de saúde pública ou pelo abuso de poder por grande parte dos governantes que nada fazem pelo povo a não ser que seja em benefício próprio ou de seus familiares. Mas o que dizer deste caso, em que havia uma placa delimitando as áreas e cada um fez seu papel conforme prevê a lei?

No caso da Júlia, o local era uma área de transição. "Ela estava no início da área de surfe e no fim da área de pesca. Ali havia um cabo que prende a rede, só que o cabo não é uma linha reta e com a corrente de sul fez uma enorme curva entrando muito na área de surfe," contou Luis Otávio, namorado de Júlia. E aí, de quem é a culpa? Será que essa lei está bem feita? Será que ninguém previu que isso poderia acontecer e que o mar não é uma coisa estática, estando sujeito sempre às alterações da natureza? Talvez seja preciso rever esta lei imediatamente!

Eu não conhecia a Júlia. Apenas conversei com uma pessoa que tinha todos os detalhes do ocorrido. Primeiro foi o namorado dela que se enrolou no cabo e rapidamente tirou o leash, passando para o outro lado e recolocando-o novamente. Depois foi a vez da Júlia. Mas é sempre assim, tudo acontece muito rápido e sem que se perceba, acaba em tragédia. Uma coisa não sai da minha cabeça: Será que todos os surfistas que entram num mar deste estão realmente preparados?

Essa foi uma situação atípica, que pode complicar a vida de qualquer um até tirar sua vida. Mas fico pensando nas várias cenas que presencio todos os verões que acabam em afogamentos e tragédias. O surfe não é um esporte como outro qualquer que você sai tentando por simples prazer. No surfe estamos encarando uma das mais poderosas forças da natureza, o mar. Vejo meninas e meninos de todas as idades, que se jogam no outside, em qualquer condição sem temer nada. Na verdade, muitas vezes é falta de conhecimento da situação, despreparo total. Em muitos casos é preciso temer o mar, pois é ele que vai dizer qual é o seu limite, até onde você pode chegar. De qualquer jeito, nunca devemos esquecer que ele é sempre mais forte que nós.

Neste verão, senti na pele a dificuldade de passar meus conhecimentos de surfista para minha filha e um grupo de amigas. Todas surfistas com 13 e 14 anos. Num dia de mar agitado e com muita corrente elas resolveram entrar no mar em outra praia e vieram me avisar. Logo proibi, mas a revolta comigo foi geral e as que estavam sozinhas me ignoraram e foram para o mar. Minha filha tentou me convencer de todas as formas de que seria ridículo não entrar, pois ficariam todas bem na beira. Como santo de casa não faz milagre, decidi ir junto e observar de perto.

Elas mal se jogaram na água e a corrente começou a levá-las para o canal onde o mar estava enorme. Elas levaram um super susto! Algumas foram salvas por outros surfistas. Minha filha, que saiu da água sozinha, aprendeu a lição e eu também por não ter sido tão dura e fiel aos meus sentimentos. Hoje contamos com o apoio das escolinhas de surfe. Todos podem ter um início de carreira, pelo menos, mais seguro recebendo informações básicas traduzidas em aulas teóricas e práticas. Só que isso não é tudo, ser prudente ou correr o risco será sempre uma decisão pessoal. Respeitemos nossas limitações!

Muita gente comentou e alguns até condenaram a atuação da Jacqueline Silva e da Tita Tavares em Teahupoo. Elas não surfaram nenhuma onda durante suas baterias. Faltou coragem para se jogar de cabeça? Elas simplesmente tiveram azar de não conseguir entrar nas ondas ou tiveram muita coragem de respeitar seus limites evitando que o pior viesse a acontecer? Se foi por medo, admiro vocês mais ainda. Admiro por serem fiéis aos seus sentimentos e instintos de sobrevivência, típicos de almas femininas.

Quanto a Júlia, infelizmente ela não teve a chance de ouvir sua voz interior e foi pega de surpresa por uma cilada da vida.

Matéria original clique aqui.



Peixe confunde bola com comida


Um morador na região viu uma bola muito estranha dançando na água e foi mais perto dar uma olhada. Com surpresa viu um enorme bagre que aparente-mente tentou engolir uma bola de basquete de criança e ficou com a mesma entalada na boca !

O peixe estava terrivelmente cansado tentando mergulhar, mas era impossível porque a bola sempre empurrava sua cabeça na linha da água. O morador tentou inumeras vezes tirar a bola, sem nenhum sucesso. E finalmente pediu para sua esposa cortar a bola, para esvazia-la e libertar o enorme bagre!!
É impossivel de acreditar se você não ver as fotos...











Altevir Caron Junior
Mestrando em Ciência e Tecnologia Ambiental
Univali R: Uruguai, 458 - 88301-202 - Itajaí - SC
Lob Algas Nocivas Bl 19 Sl 106



02/05/2005
Brasil conhecerá mais o seu mar até o fim de 2005

Está prevista para o fim do ano a publicação do relatório final do Programa para Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva (ReviZEE), desenvolvido sob coordenação da Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, desde 1996. O programa é considerado o maior estudo já realizado sobre o mar brasileiro, incluindo informações sobre estoques pesqueiros, correntes marítimas e outros aspectos.

Apesar da grande extensão e da riqueza natural da costa brasileira, já chamada de "Amazônia azul", não se prevê a possibilidade de aumento na pesca. Os resultados preliminares da pesquisa mostram que a maioria das espécies está sobreexplotada, sendo pescada acima dos limites sustentáveis para sua sobrevivênvia. Com o ReviZEE, poderão ser tomadas ações para o controle e o ordenamento da pesca, garantindo a permanência da atividade. Durante o estudo, também foram identificadas várias novas espécies de peixes.

A pesquisa foi realizada em uma faixa de 370 quilômetros a partir da costa, desde a foz do Rio Oiapoque, no Amapá, até a Barra do Rio Chuí, no Rio Grande do Sul. O trabalho também incluiu áreas no entorno do Atol das Rocas, dos arquipélagos de Fernando de Noronha e de São Pedro e São Paulo, e das Ilhas da Trindade e Martin Vaz. O relatório trará os resultados do ReviZEE divididos nas regiões litorâneas Norte, Nordeste, Central e Sul. Participaram do estudo mais de 40 instituições de pesquisa, vários ministérios e outros órgãos da administração federal.

O ReviZEE está dividido em subcomitês, encarregados de levantar as informações sobre cada região do litoral. O Subcomitê da Região Sul já publicou oito livros, trazendo estudos sobre como se desenvolvem as populações das espécies mais pescadas, distribuição de baleias e golfinhos, flora marinha, entre outros.

Todo o trabalho desenvolvido pelo ReviZEE também atende à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O Brasil assinou o texto em 1982 e o ratificou em 1988. Com isso, o País assumiu o compromisso de conhecer e de usar de forma sustentável os recursos marinhos na chamada Zona Econômica Exclusiva, que se estende das 12 às 200 milhas marítimas da costa (de 22 a 370 quilômetros). Mais informações sobre o programa no site do Revizee. (Aldem Bourscheit / MMA)


 

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