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Ação Praia Local, Lixo Global no litoral da Bahia.
Atualmente, o lixo é um dos principais poluentes dos ambientes
costeiros e oceânicos, inclusive em áreas não urbanizadas.
Várias espécies de animais marinhos, principalmente aves,
tartarugas e mamíferos, confundem o lixo com comida e ingerem plásticos.
A ingestão de plástico pode causar o bloqueio do
trato digestivo e/ou sensação de saciedade, matando ou causando
sérios prejuízos para a vida do animal. Existem estudos
que demonstram que a gravidade desse problema é tanta que pode
ameaçar a existência de algumas espécies de animais
marinhos.
O lixo acumulado nas nossas praias pode ter sido deixado pelos banhistas,
transportado pelos rios ou trazido pelas correntes marinhas. Os ventos
de leste e nordeste e as correntes do oceano Atlântico Sul favorecem
o transporte dos resíduos flutuantes jogados no mar pelos navios
para as praias da Bahia. Isso pode ser facilmente observado em uma breve
caminhada nas praias da Costa dos Coqueiros, no litoral norte da Bahia.
Foi isso que aconteceu no verão de 2001, quando o surfista e fotógrafo
Fabiano Prado Barretto caminhou de Praia do Forte até Imbassaí
e encontrou embalagens de diversos países, motivando a criação
da Ação Praia Local, Lixo Global no litoral da Bahia “Praia
Local, Lixo Global” (www.globalgarbage.org) com objetivo de monitorar
o problema e buscar soluções.
Na Costa dos Coqueiros, os impactos do lixo à vida marinha são
agravados por e tratar de área de reprodução de tartarugas
marinhas, com intensas atividades do Projeto TAMAR. Isso significa que
além dos obstáculos naturais, as tartarugas precisam superar
o lixo flutuante e aquele depositado na praia para garantir sua sobrevivência.
Além dos danos à vida marinha, o lixo no litoral da Bahia
causa problemas para duas das principais vocações econômicas
da região: pesca e turismo. O lixo nas praias pode causar ferimentos
nos banhistas, dificuldades no trabalho de recolhimento de redes, afastamento
dos turistas e danos as embarcações. Um grande problema
está relacionado ao entupimento da entrada de água para
resfriamento de motores de embarcações. O monitoramento
da chegada do lixo internacional nas praias praticamente desabitadas do
litoral norte da Bahia produziu resultados surpreendentes: foram encontrados
resíduos originados de mais de 70 países.
Estados Unidos, Itália e África do Sul são os países
com maior número de embalagens. O plástico é o material
mais freqüente. Isso aumenta ainda mais a gravidade do problema,
considerando o elevado tempo de decomposição dos plásticos.
Atualmente o monitoramento é realizado em um trecho de 141,5 km
entre Mangue Seco e Praia do Forte, mas já foram realizadas expedições
exploratórias na Costa do Dendê, entre Itacaré e a
Ilha de Itaparica, e o próximo alvo é a Costa do Descobrimento.
A solução dos problemas aqui descritos passa essencialmente
pelo conhecimento científico das origens e impactos dos poluentes
em ambiente marinho, afinal apenas problemas devidamente conhecidos podem
ser resolvidos. Atualmente a Ação “Praia Local, Lixo
Global” conta com três programas em ação. O
programa “ID Garbage” busca a identificação
das origens do lixo encontrado nas praias da Costa dos Coqueiros, intimamente
associado ao programa “Amigos do Lixo”, que é aberto
a pessoas de todo mundo interessadas em participar do programa de monitoramento
na Costa dos Coqueiros. Já o programa “Onda Verde”
é uma iniciativa que tem o apoio de surfistas profissionais como
Wilson Nora e Armando Daltro, buscando a difusão das idéias
de “Praia Local, Lixo Global” no mundo do Surf.
Isaac Rodrigues dos Santos
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